O Futuro da Criação de Sites

O futuro da criação de sites: como a IA está transformando o Web Design
“A IA vai acabar com o WordPress.”
“Elementor está morto.”
“Agora qualquer pessoa cria um site em cinco minutos.”

Frases como essas estão se tornando cada vez mais comuns em discussões sobre Web Design, desenvolvimento e criação de sites. Algumas expressam preocupações legítimas. Outras antecipam conclusões que ainda não podemos sustentar.

Mas todas apontam para algo que já pode ser observado: a maneira como construímos sites está passando por uma transformação importante.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta usada para gerar um texto, produzir uma imagem ou sugerir algumas linhas de código. Ela começa a participar diretamente do processo de criação de um site, gerando estruturas, páginas, layouts, conteúdo e componentes e realizando alterações a partir de instruções em linguagem natural.

Isso muda a relação entre pessoas e ferramentas digitais.

Mas significa que estamos diante do fim do WordPress, dos construtores visuais e até mesmo do trabalho do Web Designer?

Ou estamos assistindo ao início de uma nova maneira de construir sites?

Para compreender essa transformação, é preciso olhar além das ferramentas que estão em evidência hoje.

A criação de sites sempre evoluiu

Criar um site já foi uma atividade quase inteiramente dependente de conhecimento técnico.

Durante muito tempo, construir uma página significava trabalhar diretamente com HTML, CSS, JavaScript e outras tecnologias. Mesmo alterações relativamente simples dependiam de alguém capaz de compreender e modificar o código.

Os sistemas de gerenciamento de conteúdo — os CMS — começaram a mudar essa relação.

Em vez de editar diretamente os arquivos que formavam um site, passou a ser possível administrar páginas, textos, imagens e outras informações por meio de uma interface.

Plataformas como o WordPress ampliaram enormemente essa possibilidade.

Depois vieram os temas e templates, que permitiram começar um projeto a partir de estruturas previamente desenvolvidas.

Em seguida, construtores visuais e ferramentas no-code reduziram novamente a barreira técnica. Elementos que antes precisavam ser programados passaram a poder ser adicionados e configurados visualmente.

Arrastar.
Soltar.
Configurar.
Visualizar.
Publicar.

Cada uma dessas transformações tornou a criação de sites acessível a um número maior de pessoas.

Mas existe uma característica importante nessa evolução: uma tecnologia não necessariamente eliminou a anterior.
Ainda escrevemos código.
Ainda utilizamos CMS.
Ainda utilizamos templates.
Ainda utilizamos editores visuais.

As novas tecnologias foram sendo incorporadas ao processo e modificando a maneira como trabalhamos com as anteriores.
A inteligência artificial parece estar provocando outra mudança desse tipo — talvez em uma escala ainda maior.

O que mudou com a inteligência artificial

As primeiras aplicações de IA utilizadas no cotidiano de quem trabalha com sites funcionavam principalmente como ferramentas auxiliares.

Era possível pedir um texto para determinada seção, sugestões de títulos, uma imagem, uma descrição de produto ou ajuda para escrever um trecho de código.

O profissional recebia aquele resultado e o levava para o ambiente onde o site estava sendo construído.

Essa separação está diminuindo.

A IA está entrando dentro dos próprios ambientes de criação.

Em janeiro de 2026, por exemplo, o Wix lançou o Wix Harmony, um novo editor que combina edição visual tradicional com uma agente de inteligência artificial chamada Aria. A partir de uma descrição, a ferramenta pode gerar páginas, layouts, cores, conteúdo inicial e imagens. Depois, o usuário continua trabalhando sobre o resultado no próprio editor.

O interessante não é apenas o que o Wix consegue fazer.

É a mudança na forma de interação.

Em vez de trabalhar exclusivamente através de menus, painéis, configurações e operações de arrastar e soltar, o usuário também pode simplesmente descrever o que deseja.

E alternar entre as duas maneiras de trabalhar.

O próprio Wix define o Harmony como um editor híbrido no qual é possível combinar comandos para a IA com controles tradicionais de drag-and-drop.

A linguagem natural passa, portanto, a ser uma nova interface para a criação.

De uma descrição para uma primeira versão do site

O mesmo movimento pode ser observado no Webflow.

Seu AI Site Builder permite descrever o propósito do site, suas páginas e o público para o qual está sendo criado. A ferramenta gera então uma estrutura multipágina, conteúdo inicial e um tema que pode continuar sendo ajustado posteriormente.

A documentação do Webflow chega a apresentar esse processo como a criação de um site multipágina em minutos, mesmo para quem possui pouca ou nenhuma experiência com Web Design.

Depois da geração inicial, porém, o trabalho não precisa permanecer nas mãos da IA.

O projeto continua dentro do Webflow e pode ser editado normalmente.

A inteligência artificial também pode participar de outras etapas, como geração de textos, seções, componentes de código, itens de CMS e sugestões relacionadas a SEO e AEO.

O Framer segue uma lógica semelhante.

O usuário descreve o site, página ou alteração que deseja e agentes de IA podem produzir páginas editáveis, seções, textos e elementos visuais diretamente dentro do projeto. A partir daí é possível continuar conversando com a IA ou assumir o controle pelo canvas visual.

Começa a aparecer um padrão:

descrever → gerar → revisar → editar → publicar.

A IA não está necessariamente eliminando o ambiente de criação.

Ela está se tornando uma nova maneira de operar esse ambiente.

O prompt começa a ocupar o espaço do clique

Essa mudança merece atenção porque não se limita à velocidade.

Quando surgiram os construtores visuais, eles reduziram a necessidade de escrever código para executar diversas tarefas.

Agora a IA começa a reduzir a necessidade de executar manualmente algumas operações dentro dos próprios construtores.

Antes, para produzir uma seção de uma página, poderíamos precisar criar o container, definir colunas, inserir títulos, adicionar textos, configurar imagens, ajustar espaçamentos e depois trabalhar sua adaptação para diferentes telas.

Cada uma dessas decisões continuava existindo, mas sua execução dependia de várias ações na interface.

Com a IA, parte dessa sequência pode começar com algo tão simples quanto:

“Crie uma seção com três serviços, usando esta identidade visual e mantendo o mesmo padrão das outras páginas.”

A ferramenta interpreta a solicitação e executa parte das operações.

O Wix Harmony já permite solicitar à Aria alterações de estrutura, criação de novas seções, mudanças de cores e ajustes de conteúdo.

O Framer trabalha com agentes que atuam diretamente sobre o projeto e deixam o resultado editável no canvas.

E o Webflow já permite gerar seções utilizando o design system existente no site.

A mudança, portanto, não é apenas:

“agora temos IA para criar sites.”

É também:

“agora podemos conversar com a ferramenta que cria o site.”

Então qualquer pessoa consegue criar um site em cinco minutos?

Em certo sentido, sim.

E em outro, não.

Ferramentas atuais já conseguem transformar uma descrição em uma primeira versão de um site em poucos minutos. Isso deixou de ser apenas uma promessa sobre o futuro e passou a fazer parte de produtos disponíveis atualmente. O Webflow, por exemplo, documenta explicitamente a geração de um site multipágina em minutos.

Mas existe uma diferença importante entre gerar páginas e resolver um projeto de site.

Uma ferramenta pode produzir uma página inicial visualmente convincente, criar seções, sugerir textos, selecionar imagens e organizar outras páginas.

Isso significa que existe um site.

Mas não significa automaticamente que foram tomadas as melhores decisões sobre posicionamento, público, arquitetura da informação, identidade visual, conteúdo, acessibilidade, conversão, SEO, desempenho, integrações ou evolução futura.

Aliás, as próprias plataformas reconhecem que a geração automática não encerra necessariamente o processo.

O Wix alerta que a Aria pode produzir resultados inesperados ou imprecisos e recomenda que suas sugestões e alterações sejam revisadas antes da finalização do site.

O Framer apresenta a IA como uma maneira de gerar uma primeira direção para o site e depois refinar estrutura, conteúdo, estilo e comportamento responsivo visualmente.

Isso nos obriga a definir melhor o que queremos dizer quando afirmamos:

“A IA criou um site.”

Gerar um site não é necessariamente desenvolver um projeto de presença digital

Essa distinção tende a se tornar cada vez mais importante.

Se considerarmos um site apenas como um conjunto de páginas visualmente organizadas e publicadas na internet, a inteligência artificial já consegue automatizar uma parcela considerável de sua produção.

Mas empresas normalmente não precisam apenas de páginas.

Precisam comunicar quem são.
Apresentar seus produtos ou serviços.
Ser encontradas.
Transmitir confiança.
Orientar visitantes.
Gerar contatos, vendas ou outras ações.
Integrar o site com outras ferramentas.
Produzir e organizar conteúdo.
Manter informações atualizadas.
E permitir que a presença digital acompanhe a evolução do próprio negócio.
A IA pode participar de muitas dessas atividades.

O ponto é que automatizar uma tarefa não é a mesma coisa que definir por que aquela tarefa deve ser realizada, de que maneira e com qual objetivo.

Essa diferença entre execução e decisão será provavelmente uma das questões centrais para compreender o futuro do Web Design.

A grande transformação pode estar apenas começando

O que já podemos observar não é simplesmente o surgimento de mais uma categoria de ferramentas para criar sites.

Estamos vendo tecnologias que antes funcionavam separadamente começarem a convergir.

Inteligência artificial.
Editores visuais.
CMS.
No-code.
Código.
Design systems.
Automação.

Em vez de necessariamente substituir essas tecnologias, a IA começa a funcionar sobre elas e dentro delas.

Por isso, talvez a principal mudança não seja que a inteligência artificial passou a “criar sites sozinha”.

A mudança é que uma parcela crescente da execução já não exige que cada operação seja realizada manualmente pelo usuário.

E isso provoca uma pergunta ainda maior.

Se a IA pode trabalhar dentro dos próprios ambientes de criação, gerar páginas, modificar layouts e executar tarefas que antes dependiam de várias operações manuais, o que acontece com as ferramentas que dominaram a criação de sites nos últimos anos?

WordPress ainda faz sentido?

Os construtores visuais continuarão necessários?

E o que realmente significa quando alguém afirma que “Elementor está morto”?

É aí que a transformação fica ainda mais interessante.

WordPress, page builders e IA: o que acontece com as ferramentas que já usamos?

Se a inteligência artificial está começando a participar diretamente da construção de páginas e sites, uma consequência parece inevitável: ferramentas que dominaram o Web Design nos últimos anos precisarão se adaptar.

É justamente nesse ponto que surgem algumas das afirmações mais frequentes nas discussões atuais:

“A IA vai acabar com o WordPress.”

“Não faz mais sentido usar page builder.”

“Elementor está morto.”

Essas frases refletem uma inquietação real. Afinal, se uma ferramenta consegue gerar páginas inteiras a partir de uma descrição, por que continuar utilizando um CMS, configurando temas, instalando plugins ou montando layouts em um construtor visual?

A pergunta faz sentido.

O problema está em assumir que a resposta já está definida.

O que está acontecendo em 2026 aponta para um cenário mais complexo: em vez de simplesmente desaparecerem diante da inteligência artificial, algumas das principais ferramentas de criação de sites estão incorporando a IA e modificando sua própria arquitetura para trabalhar com ela.

A inteligência artificial vai substituir o WordPress?

Até o momento, não há base para afirmar que a inteligência artificial esteja simplesmente substituindo o WordPress.

O que podemos observar concretamente é justamente o movimento contrário: a inteligência artificial está entrando no próprio WordPress.

O WordPress 7.0, lançado em maio de 2026, incorporou ao Core um novo AI Client, criando uma interface padronizada através da qual o WordPress pode se comunicar com diferentes modelos de inteligência artificial. A plataforma também incorporou APIs e uma área de conectores para que provedores externos possam ser utilizados por plugins e outras funcionalidades.

Isso é importante porque muda a relação entre WordPress e IA.

Até pouco tempo atrás, um plugin que desejasse utilizar inteligência artificial normalmente precisava construir sua própria integração com determinado provedor. Com a nova infraestrutura, o WordPress passa a oferecer uma camada comum para essa comunicação, mantendo os provedores de IA externos ao Core. 

Na prática, isso cria uma base para que plugins, temas e outras ferramentas possam incorporar recursos generativos sem que cada desenvolvedor precise resolver o mesmo problema de integração de maneira completamente independente.

O WordPress também mantém o projeto canônico AI, ligado à iniciativa AI Building Blocks. Em maio de 2026, o plugin chegou à versão 1.0 e passou de um ambiente inicialmente experimental para o que o próprio projeto descreve como uma implementação de referência mais madura para fluxos de trabalho baseados em IA.

Portanto, talvez a pergunta:

“IA ou WordPress?” esteja começando a perder parte do sentido.

Em muitos projetos, a realidade poderá ser:

WordPress + IA.

O WordPress também está se tornando mais visual

Existe ainda outra transformação importante acontecendo dentro do WordPress que começou antes da atual explosão da inteligência artificial.

O Block Editor, também conhecido como Gutenberg, tornou-se o editor padrão do WordPress a partir da versão 5.0. Em vez de trabalhar apenas com um campo tradicional de conteúdo, páginas e posts passaram a ser construídos utilizando blocos.

Essa ideia foi posteriormente ampliada pelo Site Editor.

Com um tema baseado em blocos, hoje é possível utilizar o editor nativo para trabalhar não apenas no conteúdo de uma página, mas também em elementos como cabeçalho, rodapé, templates, navegação, estilos globais e outras partes da estrutura visual do site.

Mas significa que a distância entre “WordPress puro” e “WordPress com construtor visual” diminuiu.

“Isso não significa que o editor nativo tenha eliminado a necessidade dos page builders. Mas significa que a distância entre ‘WordPress puro’ e ‘WordPress com construtor visual’ diminuiu.”

E isso muda a pergunta que precisa ser feita antes de instalar um page builder.

Durante muito tempo ela foi praticamente:

“Qual construtor de páginas devo escolher?”

Agora existe uma pergunta anterior:

“Este projeto realmente precisa de um construtor de páginas adicional?”

A resposta depende do projeto, da experiência de quem irá mantê-lo, do nível de controle visual necessário, do fluxo de trabalho e das funcionalidades que serão utilizadas.

Essa mudança já seria suficiente para pressionar o mercado de page builders.

A inteligência artificial acrescenta uma pressão ainda maior.

Os page builders estão realmente ficando obsoletos?

Um page builder resolve essencialmente um problema de interface: permite que uma pessoa construa layouts complexos visualmente, sem precisar escrever manualmente todo o código necessário para isso.

Foi justamente essa facilidade que ajudou ferramentas como Elementor, Divi e outros construtores a se popularizarem.

Mas existe uma consequência interessante quando introduzimos IA nesse processo.

Se antes tínhamos:

código → editor visual

agora começamos a ter:

linguagem natural → IA → editor visual → código/estrutura

A inteligência artificial passa a ocupar uma camada anterior à interface.

Isso pode reduzir a quantidade de operações manuais necessárias dentro de um page builder.

Mas não significa necessariamente que o próprio builder deixe de ter função.

Talvez ele passe a desempenhar outra função.

Elementor está realmente “morto”?

Poucas ferramentas representam tão bem essa discussão quanto o Elementor.

A frase “Elementor está morto” aparece com frequência em comunidades de designers e desenvolvedores, muitas vezes acompanhada de críticas relacionadas a desempenho, estrutura, fluxo de trabalho ou da preferência por ferramentas mais recentes.

Mas existe uma diferença importante entre dizer que uma ferramenta está sendo questionada e afirmar que ela está morta.

Em 2026, o Elementor iniciou uma mudança arquitetônica importante com o lançamento da versão 4 e do chamado Atomic Editor.

A nova arquitetura introduziu Variables, Classes e Components reutilizáveis, um sistema unificado de estilos e uma separação mais clara entre estrutura, conteúdo e apresentação. Para novas instalações, os recursos Atomic passaram a ser ativados por padrão; em sites existentes, podem ser habilitados sem substituir imediatamente a estrutura anterior.

Isso merece atenção porque responde a uma mudança que está acontecendo no próprio Web Design.

Em vez de estilizar repetidamente cada elemento de cada página, o modelo passa a enfatizar sistemas reutilizáveis.

Uma classe pode controlar determinados estilos.

Uma variável pode definir valores compartilhados.

Um componente pode ser reutilizado em diferentes partes do projeto.

O objetivo deixa de ser simplesmente montar páginas individualmente e passa a incluir a construção de um sistema de design mais consistente e escalável.

Isso, por si só, já representa uma mudança considerável em relação à lógica tradicional que ajudou a popularizar o Elementor.

Mas a transformação não termina aí.

Elementor também está levando IA para dentro do editor

Em 2026, o Elementor apresentou a Angie, uma estrutura de IA agêntica criada especificamente para trabalhar com WordPress.

A diferença em relação às primeiras ferramentas generativas é importante.

Em vez de simplesmente produzir um texto ou trecho de código para ser copiado e colado posteriormente, a proposta é permitir que a IA compreenda o ambiente WordPress e execute ações dentro dele.

A Angie também foi integrada ao Atomic Editor.

Atualmente, ela pode utilizar linguagem natural para criar elementos como classes, variáveis, formulários e componentes que permanecem editáveis dentro do próprio sistema Elementor.

E a evolução está acontecendo rapidamente.

Em julho de 2026, o Elementor ampliou a integração para permitir a geração de páginas completas a partir de prompts. O resultado não é apenas uma imagem ou um layout externo: são estruturas editáveis dentro do próprio Elementor, incluindo páginas, sistemas de design, formulários e loops.

Isso coloca a discussão sobre o futuro do Elementor em uma perspectiva diferente.

A questão talvez não seja simplesmente:

“A IA vai substituir o Elementor?”

Pode ser:

“Como será usar Elementor quando uma IA puder operar parte do Elementor por você?”

São perguntas bastante diferentes.

A resposta do Elementor não garante seu futuro

Também é importante evitar o extremo oposto.

O fato de Elementor estar reconstruindo sua arquitetura e incorporando inteligência artificial não significa que a ferramenta necessariamente continuará ocupando a mesma posição que possui hoje.

Uma nova arquitetura precisa demonstrar seus resultados no uso real.

Novos concorrentes podem oferecer soluções melhores.

O próprio WordPress pode reduzir a necessidade de ferramentas adicionais.

E profissionais podem preferir fluxos de trabalho diferentes.

Portanto, não faz sentido transformar a análise em uma defesa do Elementor.

O que os acontecimentos de 2026 demonstram é apenas que declarar sua “morte” como fato ignora uma parte importante da realidade: a ferramenta está sendo ativamente reconstruída para responder justamente às transformações que colocaram seu modelo tradicional em discussão.

O resultado dessa tentativa ainda será determinado pelo mercado.

Bricks aponta para outro caminho possível

O Bricks ajuda a compreender por que não existe apenas uma maneira de incorporar inteligência artificial a um page builder.

Em julho de 2026, a versão 2.4 beta introduziu um conjunto de AI Abilities conectado à Abilities API do WordPress e ao Model Context Protocol, o MCP.

Com essa estrutura, clientes compatíveis como Cursor, Claude Code e Copilot podem executar ações estruturadas dentro do Bricks. Entre elas estão criação e edição de páginas, elementos, templates, componentes, dados globais, design systems, consultas e outras estruturas do builder.

Há uma diferença conceitual interessante.

O agente de IA não precisa simplesmente gerar um código externo que posteriormente será inserido no site.

Ele pode interagir com a própria estrutura utilizada pelo builder.

Assim, um profissional pode, por exemplo, utilizar um agente para construir ou alterar determinada parte do projeto e continuar posteriormente trabalhando sobre aquele resultado dentro do Bricks.

Isso reforça uma possibilidade que merece atenção:

O page builder pode continuar existindo mesmo quando deixa de ser a única interface utilizada para operá-lo.

Em outras palavras, talvez não seja necessário clicar, arrastar e configurar manualmente cada elemento para que o builder continue desempenhando uma função importante no projeto.

Divi também está reconstruindo sua base

O movimento não está restrito a Elementor e Bricks.

O Divi 5 saiu oficialmente da fase beta em fevereiro de 2026, depois de um longo processo de reconstrução de sua base.

Ao longo do ano, a plataforma continuou recebendo recursos relacionados a sistemas de presets, CSS Grid, workflows e outras funcionalidades voltadas à construção visual mais estruturada.

Isso não significa que Elementor, Divi ou qualquer outro builder esteja protegido contra as mudanças provocadas pela inteligência artificial.

Significa algo mais simples:

o mercado de construtores visuais não está parado esperando ser substituído.

Ele próprio está mudando.

O futuro talvez não seja IA versus page builder

Ao observar esses movimentos em conjunto, começa a surgir uma possibilidade diferente daquela apresentada pelas discussões mais extremas.

O futuro pode não ser:

IA ou editor visual.

Pode ser:

IA + editor visual.

Em alguns casos, o usuário continuará preferindo construir diretamente pela interface.

Em outros, poderá começar descrevendo o resultado que deseja.

Em outros ainda, um agente poderá executar uma sequência de tarefas e entregar uma estrutura que será posteriormente revisada e refinada visualmente.

Isso transforma o page builder em algo diferente.

Ele deixa de ser apenas a interface através da qual uma pessoa constrói cada parte da página e pode se tornar também o sistema estruturado sobre o qual pessoas e agentes trabalham conjuntamente.

A mudança é sutil, mas profunda.

A linguagem natural está se tornando uma nova camada de interface

Durante muitos anos, uma das principais promessas dos page builders foi:

“Você não precisa escrever código para construir visualmente.”

Agora começa a aparecer outra promessa:

“Você não precisa executar visualmente todas as operações para construir.”

Isso não elimina necessariamente o código.

Não elimina o editor.

E não elimina necessariamente o conhecimento técnico.

Apenas introduz uma nova camada de abstração.

Isso explica por que WordPress, Elementor e Bricks estão se aproximando da inteligência artificial por caminhos diferentes, em vez de simplesmente tentarem competir contra ela.

Então ainda faz sentido utilizar um page builder?

Não existe uma resposta universal.

Para alguns projetos, o editor nativo do WordPress pode oferecer tudo o que é necessário.

Para outros, um construtor visual pode continuar oferecendo vantagens importantes em controle, produtividade, design systems, componentes, recursos dinâmicos ou facilidade de edição.

E a inteligência artificial adiciona uma terceira variável: quanto desse trabalho precisa realmente ser executado manualmente?

É justamente por isso que a discussão sobre “qual é o melhor page builder” começa a parecer limitada.

A pergunta mais útil passa a ser:

Que papel um page builder ainda desempenha dentro do WordPress moderno — e em quais projetos ele realmente acrescenta valor?

Essa questão merece uma análise própria, porque envolve desempenho, manutenção, facilidade de uso, dependência tecnológica, Gutenberg/Site Editor, Elementor, Bricks, Divi, Breakdance e outros caminhos possíveis.

Mas uma conclusão já pode ser tirada.

As ferramentas não estão apenas recebendo IA. Elas estão mudando por causa dela

O cenário atual não mostra uma substituição simples em que uma nova tecnologia chega e todas as anteriores desaparecem.

Mostra algo mais parecido com uma reorganização das camadas que formam um site.

O WordPress está criando infraestrutura para IA.

Seu editor nativo continua expandindo a capacidade de construir visualmente um site.

O Elementor está reconstruindo sua arquitetura e permitindo que uma IA trabalhe dentro dela.

O Bricks está permitindo que agentes operem estruturas do próprio builder.

O Divi também reconstruiu sua base e continua evoluindo seu modelo visual.

Isso não nos permite saber quais ferramentas dominarão o mercado daqui a alguns anos.

Mas permite questionar uma das ideias mais repetidas atualmente:

talvez a inteligência artificial não esteja simplesmente eliminando as ferramentas de criação de sites. Ela esteja obrigando essas ferramentas a mudar.

E essa transformação nos leva a uma questão ainda mais importante.

Se parte crescente da execução pode ser realizada por inteligência artificial — dentro ou fora de um page builder —, o que realmente está sendo automatizado no trabalho de criação de um site?

E, principalmente:

se construir está ficando mais fácil, onde passa a estar o valor de quem trabalha profissionalmente com Web Design?

É essa mudança que precisamos analisar a seguir.

O que a IA realmente está automatizando na criação de sites?

A transformação provocada pela inteligência artificial não acontece de maneira uniforme.

Algumas tarefas que antes consumiam horas de trabalho já podem ser realizadas em poucos minutos. Outras podem ser aceleradas, mas ainda dependem de revisão e decisão. E existem questões que não são resolvidas simplesmente porque uma ferramenta se tornou capaz de gerar páginas, textos ou código.

Por isso, talvez seja mais útil perguntar o que está sendo automatizado do que tentar prever imediatamente quais ferramentas ou profissões irão desaparecer.

Na criação de sites, a IA já demonstra grande capacidade para acelerar principalmente a execução inicial.

Ela pode sugerir uma estrutura de páginas, produzir um primeiro layout, criar variações de uma seção, gerar textos provisórios, produzir imagens, escrever código, reorganizar conteúdo e executar determinadas tarefas dentro dos próprios ambientes de desenvolvimento.

Isso representa uma mudança importante porque muitas dessas atividades faziam parte do trabalho operacional de construir um site.

Mas existe uma diferença entre executar uma tarefa e decidir qual tarefa deve ser executada.

E essa diferença pode ser fundamental para compreender o futuro do Web Design.

A IA está reduzindo o trabalho necessário para chegar à primeira versão

Imagine o início de um projeto tradicional.

Depois de compreender minimamente o que precisava ser desenvolvido, alguém precisava definir uma estrutura inicial, criar páginas, montar seções, inserir conteúdo provisório, procurar imagens, testar alternativas de layout e fazer uma série de ajustes até chegar a uma primeira versão que pudesse ser avaliada.

Hoje uma parte considerável desse caminho pode ser acelerada.

Como vimos anteriormente, ferramentas atuais já conseguem transformar uma descrição em páginas e layouts editáveis. Sistemas de IA também conseguem gerar alternativas rapidamente, permitindo experimentar caminhos diferentes sem reconstruir cada solução manualmente.

Isso muda principalmente o custo da primeira tentativa.

Se antes produzir três possibilidades significava executar três vezes parte do trabalho, agora é possível gerar diferentes caminhos e concentrar mais tempo na avaliação dos resultados.

Essa mudança pode parecer apenas um ganho de produtividade, mas suas consequências são maiores.

Quando executar se torna mais barato, escolher tende a se tornar mais importante.

Produzir mais rápido não significa decidir melhor

A IA pode gerar dez opções de título em poucos segundos.
Mas qual delas representa melhor o posicionamento da empresa?
Pode produzir diferentes versões de uma página inicial.
Mas qual estrutura orienta melhor o visitante?
Pode sugerir uma combinação de cores.
Mas ela representa corretamente a identidade que a empresa pretende construir?
Pode escrever uma chamada comercial.
Mas aquela promessa corresponde realmente ao serviço oferecido?
Pode gerar uma imagem tecnicamente muito boa.
Mas aquela imagem comunica a mensagem adequada?
Pode criar uma página inteira.
Mas aquela página deveria existir daquela maneira?
Essas perguntas mostram uma mudança importante.

O problema deixa gradualmente de ser apenas:

“Como faço isso?”

e passa cada vez mais a incluir:

“Por que estou fazendo isso?”

“Qual dessas possibilidades é a melhor?”

“Melhor para quem?”

“Com qual objetivo?”

Quanto maior for a capacidade de geração das ferramentas, maior poderá ser a necessidade de critérios para avaliar o que foi gerado.

O site começa antes da ferramenta utilizada para construí-lo

Essa talvez seja uma das distinções mais importantes em meio à discussão sobre IA.

WordPress, Wix, Webflow, Framer, Elementor, Bricks e outras ferramentas podem participar da construção de um site.

Mas nenhuma delas define, por si só, qual deveria ser o posicionamento de uma empresa.

A ferramenta também não determina automaticamente quais informações são mais importantes para seus clientes, como os serviços deveriam ser apresentados, quais objeções precisam ser respondidas ou que ação esperamos que o visitante realize.

Essas decisões começam antes da construção propriamente dita.

Um projeto pode envolver perguntas como:

Quem é o público?
O que essa empresa oferece?
Por que alguém deveria escolhê-la?
O que precisa ser comunicado primeiro?
Qual conteúdo é realmente necessário?
Como as informações devem ser organizadas?
Qual deve ser a relação entre as páginas?
Que imagem queremos construir?
Como o site participa da estratégia comercial?
Como as pessoas chegarão até ele?
O que deverá acontecer depois que elas chegarem?

A inteligência artificial pode ajudar a investigar e responder muitas dessas questões.
Mas é necessário fornecer contexto, avaliar as respostas e tomar decisões.
Por isso, automatizar a construção não significa automaticamente automatizar o projeto.

A escolha da tecnologia também passa a exigir mais critério

Curiosamente, quanto maior se torna o número de maneiras de construir um site, menos útil fica procurar simplesmente pela “melhor plataforma”.

WordPress pode ser uma excelente escolha para determinado projeto e desnecessariamente complexo para outro.

Uma plataforma fechada pode oferecer praticidade e reduzir a necessidade de manutenção, mas também criar maior dependência de seu próprio ecossistema.

Um construtor baseado em IA pode ser suficiente para uma necessidade simples e extremamente rápido para colocar uma ideia no ar.

Um page builder pode continuar sendo produtivo para determinado fluxo de trabalho.

Uma solução mais orientada a desenvolvimento pode oferecer maior controle quando o projeto exigir isso.

A pergunta deixa de ser:

“Qual ferramenta é melhor?”

e passa a ser:

“Qual solução faz mais sentido para este projeto?”

Essa discussão merece ser aprofundada porque autonomia, facilidade, custo, desempenho, manutenção, SEO, integrações e escalabilidade podem levar a decisões diferentes.

É por isso que escolher entre WordPress, plataformas fechadas e novas ferramentas baseadas em IA não deveria ser apenas uma comparação de funcionalidades.

É uma decisão de projeto.

Quando criar um site sozinho pode ser suficiente?

A democratização da criação de sites é positiva.

Existem situações em que contratar um profissional simplesmente pode não ser necessário.

Uma pessoa que precisa de uma página pessoal simples, uma apresentação temporária, um pequeno projeto experimental, um protótipo ou uma presença básica pode conseguir um resultado perfeitamente satisfatório utilizando uma plataforma pronta e recursos de inteligência artificial.

Negar isso seria ignorar o que as ferramentas atuais já conseguem fazer.

Aliás, essa possibilidade não começou com a IA.

Templates, CMS e construtores visuais já permitiam que muitas pessoas criassem seus próprios sites.

A inteligência artificial apenas reduz ainda mais a barreira de entrada.

A diferença está na velocidade e no nível de assistência disponível.

Uma pessoa que antes precisava escolher um template, compreender um editor e produzir todo o conteúdo agora pode começar descrevendo o que precisa e receber uma primeira estrutura pronta.

Para determinados objetivos, isso pode ser suficiente.

O problema começa quando facilidade de criação é confundida com adequação da solução.

Quando a ferramenta deixa de ser a questão principal

À medida que um projeto se torna mais importante para um negócio, outros fatores começam a ganhar peso.

Posicionamento.
Identidade visual.
Arquitetura da informação.
Experiência do usuário.
Conteúdo.
Conversão.
Acessibilidade.
SEO.
Desempenho.
Integrações.
Manutenção.
Escalabilidade.

Nesse momento, saber qual botão apertar para criar uma seção pode ser uma parte relativamente pequena do problema.

O desafio passa a ser coordenar essas diferentes dimensões para que trabalhem juntas.
Uma página pode ser bonita e comunicar mal.
Pode carregar rapidamente e apresentar uma estrutura confusa.
Pode estar tecnicamente bem construída e não ser encontrada.
Pode aparecer no Google e não convencer ninguém.
Pode gerar contatos, mas atrair o público errado.
Pode funcionar perfeitamente hoje e se tornar difícil de administrar no futuro.
Um projeto de Web Design precisa equilibrar essas questões.
A inteligência artificial pode ajudar em praticamente todas elas.
Mas ajuda não significa necessariamente decidir sozinha.

Então a IA vai substituir o Web Designer?

É cedo para afirmar como a profissão será organizada no futuro.

Mas já é possível observar que algumas tarefas tradicionalmente executadas por Web Designers estão sendo automatizadas.

E provavelmente outras serão.
Montar determinadas estruturas.
Criar variações de layout.
Produzir conteúdo provisório.
Pesquisar referências.
Gerar imagens.
Escrever partes do código.
Adaptar elementos.
Executar tarefas repetitivas.
Tudo isso tende a exigir menos trabalho manual.

Por isso, dizer simplesmente que “a IA nunca substituirá o Web Designer” seria tão precipitado quanto afirmar que “a profissão vai acabar”.

A pergunta mais útil talvez seja outra:

Que parte do trabalho do Web Designer continuará tendo valor quando a execução básica puder ser feita cada vez mais rapidamente?

Essa questão aponta para uma mudança no papel do profissional.

O valor pode estar migrando da execução para a decisão

Durante muito tempo, saber como construir representou uma parcela importante do valor profissional.

Saber escrever código tinha valor porque poucas pessoas conseguiam fazê-lo.

Depois, saber operar um CMS, configurar um tema ou dominar um page builder também se tornou parte do conhecimento necessário para produzir determinados resultados.

Essas habilidades continuam úteis.

Mas quando uma IA consegue executar parte dessas operações a partir de uma instrução, a execução isolada tende a deixar de ser um diferencial tão forte.

Isso não significa que conhecimento técnico perde importância.

Pode acontecer justamente o contrário.

Quanto mais a ferramenta consegue fazer, mais importante pode se tornar saber quando ela está fazendo algo errado.

Um profissional que compreende HTML, CSS, responsividade, acessibilidade, performance, SEO, UX e arquitetura consegue avaliar o resultado produzido por uma IA de maneira diferente de alguém que apenas aceita o que apareceu na tela.

O conhecimento deixa de servir somente para executar.

Passa também a servir para orientar, avaliar, corrigir e decidir.

O Web Designer pode deixar progressivamente de ser apenas quem monta as páginas para assumir cada vez mais o papel de quem organiza o sistema que produz o resultado.

Saber usar IA provavelmente também fará parte do trabalho

Existe ainda uma inversão interessante nessa discussão.
A IA pode ameaçar determinadas tarefas do Web Designer, mas ao mesmo tempo está se tornando uma nova ferramenta do próprio profissional.
Um designer pode utilizá-la para explorar possibilidades.
Um desenvolvedor pode utilizá-la para acelerar código.
Um profissional de conteúdo pode utilizá-la para pesquisar e estruturar informações.
Uma equipe pode utilizar agentes para executar operações repetitivas.
O ganho não está necessariamente em aceitar automaticamente aquilo que a IA produz.
Está em conseguir produzir mais possibilidades, testar mais rapidamente e dedicar maior atenção às decisões que realmente exigem julgamento.

Assim como o profissional de Web Design precisou aprender CMS, responsividade, construtores visuais e outras tecnologias ao longo dos anos, trabalhar com sistemas de inteligência artificial tende a se tornar parte do repertório profissional.

A questão deixa de ser apenas:

“A IA vai substituir o Web Designer?”

e passa também a ser:

“Como o Web Designer que utiliza IA trabalhará de maneira diferente daquele que não utiliza?”

Essa discussão merece um artigo próprio porque envolve não apenas tecnologia, mas também competências, mercado, produtividade e o próprio modelo de prestação de serviços.

O que muda para quem contrata um site?

Para empresas e profissionais que precisam de um site, toda essa transformação traz uma vantagem evidente: existem mais opções.

Também cria um problema:

existem mais decisões.

É possível construir sozinho.
Utilizar uma plataforma com IA.
Contratar um profissional.
Escolher WordPress.
Utilizar uma solução fechada.
Adotar um page builder.
Utilizar ferramentas no-code.
Combinar várias dessas tecnologias.

O fato de existir uma solução rápida não significa que todos devam escolher a solução mais complexa.

E o fato de um projeto ser importante também não significa que precise utilizar a tecnologia mais sofisticada disponível.

A escolha deveria partir do objetivo.

Se uma ferramenta simples resolve o problema, utilizar uma estrutura mais complexa apenas aumenta custo e manutenção.

Se o site será um ativo importante para aquisição de clientes, conteúdo, posicionamento e crescimento, escolher apenas pela facilidade inicial pode criar limitações posteriormente.

É nesse ponto que o conhecimento profissional continua fazendo sentido: não necessariamente porque somente um especialista consegue construir a página, mas porque alguém precisa compreender as consequências das decisões tomadas durante o projeto.

O futuro da criação de sites provavelmente será híbrido

É impossível saber hoje quais plataformas dominarão o mercado nos próximos anos.

Algumas ferramentas desaparecerão.
Outras serão incorporadas.
Novos modelos surgirão.
WordPress continuará evoluindo.
Construtores visuais continuarão tentando se reinventar.
A inteligência artificial ficará mais capaz.
E tarefas que hoje ainda parecem complexas provavelmente serão automatizadas.

Mas os movimentos atuais sugerem que o futuro talvez não seja uma escolha simples entre:

humano ou IA
código ou no-code
WordPress ou criador de sites com IA
editor visual ou agente

Essas tecnologias estão começando a se combinar.

Um profissional pode utilizar IA para planejar uma estrutura, um CMS para administrar conteúdo, um editor visual para refiná-la, código para resolver necessidades específicas e agentes para automatizar parte do processo.

O próprio usuário pode participar mais diretamente da construção e manutenção.

A fronteira entre criar, editar, programar e administrar tende a ficar menos rígida.

Afinal, qual é o futuro da criação de sites?

Talvez a mudança mais importante não seja o surgimento de uma ferramenta capaz de construir um site inteiro a partir de uma frase.

É a redução contínua da distância entre uma ideia e sua execução.

Primeiro, os sistemas de gerenciamento de conteúdo reduziram a necessidade de trabalhar diretamente com código.

Depois, templates e construtores visuais reduziram a quantidade de conhecimento técnico necessária para criar layouts.

Agora a inteligência artificial começa a reduzir também a quantidade de operações necessárias para transformar uma intenção em uma primeira solução.

Essa transformação certamente afetará ferramentas, processos, preços, profissões e modelos de negócio.

Mas ela não elimina uma questão fundamental:

o que queremos construir e por quê?

Quanto mais fácil se torna produzir, mais importante pode se tornar escolher.

Quanto mais alternativas uma IA consegue gerar, mais necessário se torna avaliar.

Quanto mais ferramentas existem, mais importante é compreender qual delas faz sentido para determinado objetivo.

Por isso, o futuro do Web Design talvez seja menos sobre dominar uma ferramenta específica e mais sobre saber combinar tecnologia, inteligência artificial, design, conteúdo e estratégia para resolver problemas reais.

Criar um site está ficando mais fácil.

Criar o site certo continua sendo uma questão de decisão.

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5 Melhores Construtores de Páginas do WordPress

Ainda vale a pena usar um page builder no WordPress?

Durante muitos anos, instalar um page builder foi quase uma decisão automática para quem queria criar um site visualmente mais elaborado no WordPress sem precisar desenvolver tudo através de código.

Elementor, Divi, Beaver Builder e outras ferramentas popularizaram a criação visual por meio de interfaces de arrastar e soltar. O usuário passou a construir páginas enquanto visualizava o resultado, utilizando elementos prontos para textos, imagens, botões, formulários, colunas e diversos outros recursos.

Isso ajudou a transformar profundamente a maneira como sites WordPress são desenvolvidos.

Mas o cenário mudou.

O próprio WordPress evoluiu seu editor de blocos e suas ferramentas de criação visual. Os page builders também estão mudando sua arquitetura. E a inteligência artificial começa a participar diretamente da construção de páginas, componentes e sistemas de design.

Diante disso, surge uma pergunta que há poucos anos praticamente não existia:

Ainda vale a pena instalar um page builder no WordPress?

A resposta curta é: sim, em muitos projetos ainda vale. Mas utilizar um page builder deixou de ser uma necessidade automática.

A escolha depende cada vez mais do tipo de projeto, do nível de controle visual necessário, de quem desenvolverá o site e de como ele deverá evoluir depois de publicado.

Por que os page builders se tornaram tão populares?

Durante muito tempo existiu uma distância considerável entre instalar o WordPress e conseguir desenvolver nele um site visualmente personalizado.

Temas resolviam parte do problema, mas normalmente ofereciam opções predeterminadas. Alterações mais profundas frequentemente exigiam conhecimento de HTML, CSS, PHP ou desenvolvimento específico do tema.

Os page builders ocuparam justamente esse espaço.

Em vez de escrever código, tornou-se possível construir visualmente uma página, reorganizar seus elementos, controlar espaçamentos, cores, tipografia e diferentes propriedades diretamente no editor.

Isso trouxe duas mudanças importantes.

A primeira foi tornar a criação de sites mais acessível para pessoas sem formação em desenvolvimento.

A segunda foi acelerar significativamente o trabalho de profissionais.

Um designer ou desenvolvedor passou a poder construir determinados layouts e testar soluções muito mais rapidamente do que através de um processo totalmente manual.

É por isso que ferramentas como o Elementor se tornaram tão populares dentro do ecossistema WordPress.

Mas aquilo que diferenciava os page builders há alguns anos já não é exclusividade deles.

O próprio WordPress se tornou muito mais visual

O editor de blocos do WordPress começou inicialmente como uma nova maneira de editar conteúdo.

Com o tempo, o projeto Gutenberg expandiu essa lógica.

Blocos passaram a controlar mais partes do site, surgiram padrões reutilizáveis, recursos globais de estilo e o Site Editor ampliou a possibilidade de trabalhar visualmente com diferentes áreas de temas compatíveis.

Hoje já é possível desenvolver determinados sites utilizando apenas os recursos nativos do WordPress e um bom tema de blocos.

Isso não significa que o editor nativo tenha eliminado a necessidade dos page builders.

Mas significa que a distância entre “WordPress puro” e “WordPress com construtor visual” diminuiu.

Essa diferença é importante.

Se um site institucional possui estrutura relativamente simples, poucas páginas e não exige grande liberdade de composição visual, adicionar um page builder pode não ser necessário.

Quanto menos dependências um projeto possuir, menor também tende a ser a quantidade de componentes externos que precisam ser atualizados e mantidos.

Por outro lado, projetos com direção visual mais específica, componentes avançados, conteúdo dinâmico ou processos profissionais de desenvolvimento podem continuar se beneficiando bastante de um construtor visual.

Então por que continuar usando um page builder?

Porque facilidade de arrastar elementos pela tela deixou de ser a única razão para utilizá-lo.

Os construtores mais modernos estão evoluindo para ambientes completos de desenvolvimento visual.

Eles podem oferecer recursos como:

  • sistemas globais de cores e tipografia;
  • classes reutilizáveis;
  • componentes;
  • templates;
  • conteúdo dinâmico;
  • construção visual de cabeçalhos e rodapés;
  • formulários;
  • loops e listagens;
  • integração com WooCommerce;
  • controle responsivo;
  • condições de exibição;
  • recursos de animação;
  • integração com inteligência artificial.

Para quem desenvolve sites profissionalmente, outro fator é particularmente importante: fluxo de trabalho.

Uma ferramenta que permite criar componentes reutilizáveis, manter consistência visual e alterar rapidamente elementos em todo o projeto pode economizar muitas horas.

Portanto, a pergunta deixou de ser simplesmente:

“Preciso de um editor drag and drop?”

Uma pergunta mais atual seria:

“Esse ambiente melhora a maneira como este projeto será desenvolvido e mantido?”

Elementor ainda vale a pena?

Elementor merece atenção especial porque se tornou praticamente sinônimo de page builder para uma parcela significativa dos usuários de WordPress.

Ao mesmo tempo, nos últimos anos também passou a receber críticas relacionadas a desempenho, complexidade e quantidade de elementos gerados pelos projetos.

Isso ajudou a alimentar uma afirmação que aparece com frequência em comunidades de desenvolvimento:

“Elementor está morto.”

O que está acontecendo em 2026, entretanto, aponta para uma situação mais interessante.

O Elementor está tentando reconstruir parte importante de sua própria arquitetura.

Elementor 4 e o Atomic Editor

A versão 4 introduziu uma nova base chamada Atomic Editor.

Em vez de depender apenas da lógica tradicional de widgets com grande quantidade de controles individuais, o novo modelo trabalha com elementos mais leves e conceitos como Classes, Variables e Components.

A ideia é aproximar o processo visual de práticas já comuns em sistemas de design: estilos são definidos de maneira reutilizável e podem ser aplicados de forma consistente em diferentes partes do projeto.

Novas instalações do Elementor 4 já utilizam os recursos Atomic por padrão, enquanto projetos existentes podem fazer a transição gradualmente. Elementor

Isso representa uma mudança relevante.

O page builder deixa de funcionar apenas como uma coleção de widgets colocados em uma página e começa a assumir características de um sistema de construção visual mais estruturado.

A IA também entrou no Elementor

Outra mudança importante é Angie, a inteligência artificial integrada ao ecossistema Elementor.

Ela já pode trabalhar diretamente no Atomic Editor para gerar elementos como Classes, Variables, Components, Forms e outras estruturas através de linguagem natural. Elementor

Em julho de 2026, a própria Elementor passou a disponibilizar geração de páginas completas, sistemas de design, formulários e loops a partir de prompts. Elementor

Isso muda bastante a discussão sobre o futuro dos page builders.

Em vez de perguntar apenas se a IA vai substituir o Elementor, podemos perguntar:

E se a IA passar a operar o Elementor?

Nesse cenário, o construtor visual continua existindo, mas parte do trabalho manual realizado dentro dele pode ser automatizada.

Bricks representa outra abordagem

O Bricks ganhou espaço principalmente entre profissionais que procuram maior controle sobre estrutura, classes, dados dinâmicos e desenvolvimento visual mais próximo da lógica utilizada no front-end.

Sua abordagem é diferente daquela que popularizou os page builders entre iniciantes.

O foco tende a estar menos na quantidade de widgets disponíveis e mais na construção de um sistema organizado para o projeto.

Em 2026, essa filosofia ganhou outra dimensão.

O Bricks 2.4 introduziu experimentalmente recursos que permitem que agentes de inteligência artificial conectados através de clientes compatíveis com MCP trabalhem diretamente com partes estruturadas de um site Bricks.

Esses agentes podem ler e modificar elementos, templates, componentes, sistemas de design, dados dinâmicos e outras estruturas do projeto. Bricks Academy

É um exemplo particularmente interessante porque mostra uma possível direção para os construtores de páginas.

A IA não precisa substituir o builder.

Ela pode utilizar o builder como camada estruturada sobre a qual trabalha.

Nesse modelo, talvez o profissional não precise executar manualmente cada ação dentro do editor. Parte delas poderá ser solicitada através de linguagem natural, enquanto o resultado continua organizado dentro do sistema visual.

E o Divi?

O Divi também continua sendo uma alternativa relevante, especialmente por possuir um ecossistema consolidado de usuários, layouts e ferramentas.

A principal mudança recente foi a reconstrução de sua arquitetura através do Divi 5, desenvolvida para modernizar a base técnica do construtor e preparar a plataforma para sua próxima geração.

O ponto mais importante não é determinar se Divi é melhor ou pior que Elementor ou Bricks.

É perceber o movimento comum.

Os principais construtores não estão simplesmente adicionando novos widgets às ferramentas existentes.

Eles estão reconstruindo suas bases.

Isso acontece justamente em um momento no qual desempenho, componentes reutilizáveis, sistemas de design e inteligência artificial estão mudando a maneira como sites são produzidos.

E quando Gutenberg é suficiente?

Essa talvez seja uma das decisões mais importantes atualmente.

Nem todo site WordPress precisa de um page builder.

Para um blog, site institucional simples ou projeto no qual conteúdo possui prioridade sobre uma direção visual muito específica, o editor nativo pode ser suficiente.

Utilizar os recursos nativos também pode reduzir dependências externas e simplificar a manutenção.

Isso não significa que Gutenberg seja automaticamente mais adequado para todos os projetos.

A experiência depende bastante do tema utilizado, dos blocos disponíveis e do nível de personalização desejado.

Um profissional acostumado a determinado page builder também pode produzir um projeto de maneira muito mais eficiente com sua ferramenta habitual do que tentando reproduzir o mesmo resultado através de outra abordagem apenas para evitar um plugin.

Existe uma diferença importante entre:

utilizar menos ferramentas

e

utilizar as ferramentas adequadas.

O objetivo deveria ser o segundo.

Um page builder deixa o WordPress mais lento?

Essa questão merece mais cuidado do que respostas como “Elementor é lento” ou “Gutenberg é rápido”.

Um construtor visual pode adicionar CSS, JavaScript, estruturas HTML e funcionalidades que aumentam a quantidade de recursos carregados por uma página.

Mas o desempenho final de um site depende de um conjunto muito maior de fatores.

Hospedagem, imagens, fontes, scripts externos, plugins, cache, quantidade de elementos, qualidade da construção e decisões de design podem ter impacto significativo.

Um site desenvolvido com um page builder e corretamente otimizado pode apresentar excelente desempenho.

Da mesma maneira, utilizar o editor nativo não garante automaticamente um site rápido.

O critério mais útil é evitar complexidade que não esteja trazendo benefício real.

Se dezenas de widgets, efeitos, extensões e plugins complementares são instalados para produzir uma página simples, provavelmente existe espaço para simplificação.

A IA vai substituir os page builders?

É possível que ela substitua parte do trabalho que atualmente fazemos dentro deles.

Isso é diferente de afirmar que os construtores desaparecerão.

A evolução recente de Elementor e Bricks oferece uma pista interessante.

Em ambos os casos, a inteligência artificial começa a trabalhar sobre estruturas existentes.

No Elementor, prompts podem gerar elementos que continuam editáveis dentro do sistema visual.

No Bricks, agentes podem receber acesso a ações estruturadas capazes de modificar partes do projeto.

Ao mesmo tempo, o próprio WordPress 7.0 incorporou ao Core um cliente de IA independente de fornecedor, criando uma infraestrutura através da qual plugins podem se comunicar com modelos generativos. Make WordPress

Isso sugere um cenário em que WordPress, page builder e inteligência artificial podem coexistir na mesma arquitetura.

O profissional descreve uma intenção.

A IA executa parte do trabalho.

O builder mantém uma estrutura visual e editável.

O WordPress administra conteúdo, usuários, dados e funcionalidades.

E o profissional continua tomando decisões, revisando e refinando o resultado.

Nesse modelo, o que pode diminuir é a necessidade de clicar, arrastar e configurar manualmente cada elemento.

Como escolher um page builder atualmente?

A lista de recursos deixou de ser suficiente.

Quase todos os principais construtores conseguem criar layouts responsivos, trabalhar com templates e oferecer diferentes elementos visuais.

Eu observaria principalmente sete fatores.

1. Necessidade real

Antes de instalar qualquer builder, verifique se o projeto realmente precisa dele.

2. Fluxo de trabalho

A ferramenta ajuda você ou sua equipe a desenvolver e manter o projeto com eficiência?

3. Estrutura

Classes, variáveis, componentes e elementos reutilizáveis tornam-se cada vez mais importantes em projetos maiores.

4. Desempenho

Não avalie apenas demonstrações. Considere o código e a complexidade que seu projeto real produzirá.

5. Dependência

O que acontece com o site se no futuro você decidir abandonar aquela ferramenta?

6. Ecossistema e continuidade

Documentação, comunidade, atualizações, compatibilidade e ritmo de desenvolvimento são importantes para uma tecnologia que poderá permanecer anos no projeto.

7. Integração com IA

Esse critério praticamente não existia quando este artigo foi publicado originalmente em 2023.

Agora começa a importar.

Não apenas porque uma ferramenta possui um botão para gerar texto, mas porque a IA pode começar a participar da própria construção e manutenção do site.

Elementor, Bricks, Divi ou Gutenberg: qual escolher?

Não existe um vencedor universal.

Elementor continua fazendo sentido para quem valoriza um grande ecossistema, ampla experiência visual e um fluxo de trabalho já bastante difundido no mercado. Sua nova arquitetura Atomic e a integração com Angie tornam particularmente interessante acompanhar sua evolução.

Bricks tende a atrair profissionais que valorizam maior controle estrutural, classes, conteúdo dinâmico e um fluxo mais próximo do desenvolvimento front-end.

Divi continua sendo relevante para usuários inseridos em seu ecossistema e está passando por uma importante modernização de sua base.

Gutenberg e o Site Editor podem ser suficientes quando simplicidade, menor dependência e integração nativa com WordPress têm maior importância.

A escolha também não precisa ser determinada pela ferramenta com mais funcionalidades.

A melhor é aquela que acrescenta valor suficiente para justificar sua presença no projeto.

Ainda vale a pena usar um page builder no WordPress?

Sim.

Mas não da mesma maneira que alguns anos atrás.

Em 2023, quando a versão original deste artigo foi publicada, a discussão girava principalmente em torno de qual construtor possuía mais widgets, modelos, integrações ou facilidade de uso.

Hoje a pergunta é maior.

O WordPress está evoluindo.

Seu editor nativo ganhou capacidade.

Os page builders estão reconstruindo suas arquiteturas.

E a inteligência artificial começa a executar tarefas dentro desses próprios ambientes.

Por isso, instalar um page builder deixou de ser uma decisão automática.

Em alguns projetos, Gutenberg pode resolver tudo o que é necessário.

Em outros, Elementor, Bricks, Divi ou outra solução pode tornar o desenvolvimento muito mais eficiente.

E nos próximos anos é provável que parte crescente do trabalho deixe de ser executada exclusivamente através de cliques e passe a combinar linguagem natural, sistemas visuais, componentes e automação.

O page builder, portanto, não parece estar simplesmente desaparecendo.

Ele está mudando de função.

A pergunta deixa de ser apenas qual ferramenta permite construir uma página.

Passa a ser:

qual ambiente oferece a melhor maneira de transformar uma ideia em um site estruturado, eficiente e capaz de evoluir?

Leia também: Como escolher uma plataforma para criar um site: WordPress, plataformas fechadas ou IA?